quinta-feira, 26 de setembro de 2013

JOSÉ MEDEIROS : "FADOS DESTE PAÍS"



Nós vimos nascer o pranto
do cano de uma espingarda
entalados numa farda
e vendidos em leilão
abafando a nossa raiva
fomos carne p´ra canhão
ainda sabemos do fogo
do sangue e da cicatriz
cantadores da tristeza
dos fados deste país

e nós também fomos a festa
quando se acabou o luto
quando a terra deu o fruto
da semente da revolta
quando as vozes se juntaram
e a gente cantou à solta
quando a manhã se enfeitou
das cores que a gente quis
cantadores da ousadia
dos fados deste país
 
agora
nossos olhos tão cansados
de ver o tempo a fugir
já mal sabemos sorrir
vamos perdendo o cabelo
e as rugas vão nascendo
como fios de um novelo
mas a esperança nunca morre
p´ra quem queira ser feliz
cantadores da incerteza
dos fados deste país.
 
JOSÉ  MEDEIROS
 

24 comentários:

  1. O nosso "fado" já vem de longe, e "fadistas" é o que há mais.

    Cantando e rindo, já não será (só) remédio.

    Tudo de bom.

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  2. Fadistas e a desafinarem cada vez mais as nossas vidas.

    Ainda estou rindo da sua aventura com o boi barrosão, rrrssss

    Bem haja!

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  3. Que triste fado o nosso
    Saudações amigas

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  4. Esperemos que no próximo domingo, o fado não fique tão negro como está hoje e que uma luz de esperança se acenda no país!

    Bons sonhos

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  5. Minha querida

    Infelizmente um poema tão verdadeiro...um caminho tão amargo.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  6. E que, desgraçadamente, continuamos a fazer, não sei porque razão!

    Tudo de bom.

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  7. Nem eu...embora aprecie muito o trabalho de Zeca Medeiros e (ai, que raiva!!) o não tenha visto pessoalmente no Hotel de Ponta Delgada em que fiquei por questão de minutos.

    Bom fim de semana, PEDRO

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  8. Querida ROSA, infelizmente assim é...mas está nas nossas mãos o poder de resistir e de tentar mudar o rumo!

    Beijinhos.

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  9. Um post importante no momento...
    Realmente está em nós resistir
    e tentar mudar o rumo. Espero
    que no domingo haja o início...
    mas estou com muitos receios.
    Muitos mesmo!!!
    Há pessoas que vêm os partidos
    políticos como clubes de futebol...
    Vamos ver.
    Beijinhos
    Irene Alves

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  10. Partilho esses receios e pelas mesmas razões: a política , para grande parte das pessoas, funciona por partidarite e votam às cegas, como se não houvesse alternativas. Nem que seja traçar o boletim de voto!

    Abraço grande

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  11. Gracias por pasar a mi blog. Devuelvo visita con agrado, para conocer los tuyos.

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  12. Fado com uma letra forte São dedicados a Pátria amada Salve salve !rs
    Gosto de ouvi-los acho-os melodiosos e nostálgicos ,
    vou pesquisar pra ouvir este (não achei link aqui)
    obrigada da visita boa
    um bom sábado

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  13. Mantenho a minha esperança no resultado eleitoral do próximo domingo... espero que as pessoas não desperdicem o seu direito cívico (que tanto custou a ganhar), e o usem como uma arma justamente autorizada.

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  14. Una hermosa y melancólica tristeza.

    Besos.

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  15. Os fados são tristes... triste e penoso costuma ser o destino!...

    ¸.•°♡彡Ótimo sábado!
    ♡♫° ·.Bom fim de semana!
    Beijinhos.
    ¸.•°❤❤⊱

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  16. E o único caminho é continuar a lutar contra os fados deste país...

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  17. Sem dúvida e amanhã temos a hipótese de começar a tocar outra música.

    Mas estou com muito medo da abstenção, sabes?

    Bom fim de semana

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  18. Linda INÊS, o destino , por vezes, é duro - mas existem coisas que não são inevitáveis , porque só dependem da nossa vontade: amanhã se provará se , em Portugal, queremos ou não a mudança !

    Bom fim de semana, amiga.

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  19. A poesia de Zeca Medeiros é toda ela assim...ou não fosse açoriano!

    Besos, TORO

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  20. MMS, estou com muito receio da abstenção, porque - não sei qual o brilhante raciocínio utilizado - muitas pessoas consideram que a melhor forma de luta é a abstenção!!

    E , por diversos motivos, ela subirá muito amanhã.

    Acho incrível que se não exreça o direito e o dever de votar( nem que seja para traçar o Boletim), depois de morrerem pessoas para que o pudéssemos ter , principalmente as mulheres (a quem a ditadura impediu , só pelo facto de o serem)

    Bom fim de semana

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  21. Bem vinda, LIS!

    Gosto de fado, mas não o considero de todo a canção nacional.

    E este poema é de uma canção, não de um fado...

    Espero que volte sempre e lhe deixo um abraço

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Grata pela vinda!

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(-me).

E volte, em paz...