Levou a vida de cão
No seu coração de pomba
(Pobre até fede!)
Agora cheira a cação
E a neve tomba
No caixote que o expede.
Perdeu dois filhos no mar
E teve uma neta pública:
Mas soube ustir e durar
Com meia rede e uma súplica.
Disto sim! limpo o grão
Leva a companha ao Senhor!
E, bem pesadas no caixão,
As cinco arrobas de fedor.
Era o Mestre Negrinho:
Agora, clareou.
Alguém desceu um fio de linho
À cova aberta, e lá o pescou.
VITORINO NEMÉSIO
