domingo, 30 de novembro de 2008

"ESTIO"





ESTIO


Horizonte

todo de roda

caiado de sol.


Ao meio

do cerro gretado

esguia cabeça de cobra

olha assobios de lume

sobre espigas amarelas...


(Campaniços degredados

na vastidão das searas

sonham bilhas de água fria!...)


Manuel da Fonseca

( Santiago do Cacém: 15/10/1911 - 11/3/1993)



Manuel da Fonseca praticou a escrita em todos os géneros: jornalismo, conto,

romance, poesia.


Porém, a faceta em que mais se destacou foi a de ser um verdadeiramente excepcional contador de estórias . Facto que eu tive a felicidade de comprovar ao assistir a uma sessão do Partido Comunista Português, no seu Centro de Trabalho no Barreiro .


Para se perceber melhor o contexto em que viveu ( mais correcto seria escrever "sobreviveu") e sofreu José da Graça Cabrita na explorada e mártir região alentejana, aconselho a leitura das seguintes obras de Manuel da Fonseca: " Cerromaior"( com adaptação ao cinema) e " Seara de Vento", além das suas "Crónicas Algarvias", só publicadas após a Revolução dos Cravos.


E, por favor, que mais ninguém tenha a veleidade de se rir com anedotas preconceituosas sobre as gentes do Alentejo!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

DÉCIMAS


I
I

Passei vida amargurada,

o meu mal já não tem cura,

só o tem na sepultura

com o remédio da enxada.

A morte está demorada,

a morte de mim se esquece;

se este favor me fizesse,

que esmola que me fazia,

se fosse já hora e dia

que a morte por mim viesse!



II


Trago uma coisa comigo,

só Deus e eu é que a sei;

não estou conforme com a lei

desta tristeza em que vivo.

Tenho um génio muito activo

e, castigado neste imposto,

a testemunha é meu rosto:

tenho as minhas canhas brancas

e pelas paixões serem tantas

morria com muito gosto.



III


Ninguém uma luz me acende!

Depois que o dia se acabe

porta minha não se abre,

só procuro algum alpendre.

Se alguém me não compreende,

eu o vou esclarecer:

é a vida sem prazer

e sem esperança no futuro;

que eu vivo sempre no escuro,

nasce o Sol, torna a nascer.



IV


P´ra tudo quanto é nascido

dizem que o Sol alumeia,

mas uns têm a casa cheia

e outros o chão varrido!

Está isto mal dividido,

o mundo está mal composto.

Uns vivendo com desgosto,

outros com muita alegria;

p´ra estes é sempre dia ´

p´ra mim é sempre sol-posto!



JOSÉ DA GRAÇA CABRITA


( Alentejano, analfabeto, maltês)


domingo, 16 de novembro de 2008

LEGENDA

EGIPTO: Templo de Luxor
( 2 de Junho, 2008)




Façam ruínas

do que me afirmo, espalhem ao vento as cinzas

do que sou:

na parcela mais remota do que fui

estou!



JOAQUIM NAMORADO

domingo, 9 de novembro de 2008

Pensamento

"A educação é um acto de paciência e persistência, como se sabe, e quem está de passagem cansa-se."

ANTÓNIO CANHÃO
( Professor)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ESPIRITUALIDADE MAIA

Após dançarem em círculo, "Los voladores" sobem o mastro.


Já no topo, também ao som de música, começam a rodar....

e, presos por um pé a uma simples corda,
iniciam a descida em lentos círculos...
de cabeça para baixo.
E assim prestam preito ao mítico Homem-Pássaro.

POEMA RELIGIOSO MAIA
Toda luña, todo año

Todo día, todo viento,
Camina e pasa también.

También todo sangre
Llega al lugar de su quietud...
Nota: as fotos foram tiradas em Tulum( 7/10/2008)