GISÈLE PELICOT : " UM HINO À VIDA - A VERGONHA TEM DE MUDAR DE LADO "


 

Giséle Pelicot nasceu em 1952 e recebeu em 2025 a Legião de Honra , a maior condecoração francesa para civis.

Penso que quem me dá o gosto de me ler, conhece a trágica experiência que viveu : Dominique Pelicot, seu marido e  com quem concebeu David, Caroline e Florian, drogou-a durante dez anos e pô-la à disposição de dezenas de homens , filmando tudo. Suspeita-se que terá abusado da própria filha , de quem publicou fotos nas redes sociais, fotografou também as noras.

O livro revela o pesadelo que  Gisèle  viveu após saber o que  acontecera e o que mais admiro nesta Mulher é a capacidade de enfrentar a situação de cabeça levantada e exigir um julgamento dos criminosos aberto ao público , afirmando que a vergonha tem de mudar de lado.

Esta sua determinação é admirável em todos os aspectos. Como admirável também é ter conseguido refazer a sua vida ao lado de Jean-Loup.

Penso que toda a gente deveria ler este poderoso e  comovente  testemunho, sem dúvida.


EXCERTOS:

- " O  presidente, Roger Arata, (...) perguntou se havia algum pedido de julgamento à porta fechada. O Stéphane levantou-se e disse que a sua cliente não o desejava. A sala ficou em silêncio absoluto. A surpresa congelou todos os rostos. O presidente mostrou-se visivelmente contrariado (...). Os meus agressores ficaram desfigurados, petrificados, tal como os seus advogados. Exigiram uma audiência à porta fechada. Para nossa surpresa , os procuradores - adjuntos também o pediram , em nome da acusação. O Stéphane voltou a intervir para explicar que eu insistia em que o processo fosse público e que, de acordo com a lei, apenas a vítima tinha esse direito de escolha. O presidente confirmou a minha decisão, a acusação alinhou , enquanto os advogados de defesa ferviam de raiva. Estavam furiosos. O Stéphane já me tinha avisado : far-me-iam pagar caro por isso. Eu estava pronta."

- "Pouco antes de os juízes se retirarem para deliberar, o Dominique declarou que aceitaria a pena de prisão  (...). Alguns arguidos pediram-me perdão. Recusei concedê-lo . Nenhum deles alertou a polícia para o que se passava em nossa casa. Nenhum deles tentou ajudar-me."


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