quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

"RESGATE" : IBN `AMMÂR (1031, SILVES - 1086, SEVILHA)

 RESGATE

( a  Al-Mu`tamid )

Pelo resgate a minha alma anseia.

Que outrem me compre deves evitar:

toma a minha vida qu´ela te premeia.


Pega nas moedas, toma a dianteira

teu lance há-de vencer se queres acreditar

que o meu preço alto é a maneira

de comprares bem o que queres mercar.


Depois, podes ceder-me  à minha sorte:

deixa-me viver ou dar-me a morte.


Por Allâh!

Quem me fez cativo que será que quer?

Será amanhã o dia do meu fim?

O que será mais letal para mim,

a vergonha ou o medo de morrer?

30 comentários:

  1. Respostas
    1. O poeta é um mouro nascido no sul do meu país nos tempos em que a Ibéria era cominada por quem tinha vindo do norte de África.

      Te abraço.

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  2. Um medo que todos de alguma maneira temos.
    Por ser certa a finitude.

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    1. Mas aqui era mesmo um resgate corporal : Ibn `Ammâr tinha sido feito prisioneiro e estava à venda , pelo que envia este poema a Al-Mu`tamid para que o perdoe e o compre.

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  3. Respostas
    1. Os mouros deixaram-nos uma bonita herança...

      Querido Pedro, abrazos

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  4. Um excelente poema deste poeta que desconhecia por completo.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. O poeta nasceu em Silves - de que foi governador, embora vindo de família modesta.

      Comprei em edição bilingue "Ibn `Ammâr Al-Andalusi - o Drama de um Poeta" no castelo de Silves, que contém os seus poemas e a sua biografia.

      Abraço e bom resto de semana :)

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  5. Também fomos influenciados por eles em muitos campos!

    Abraço

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    1. Com o tempo que estiveram, além de terem ocupado toda a península
      (excepto os Montes Cantábricos) seria impossível não deixarem herança e não nos influenciarem - tanto amis que era, na altura, uma cultura muito rica.

      Beijinho

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  6. Olá, amiga São.
    Desconhecia completamente este episódio que este poema relata.
    Dito isto: gostei muito desta magnífica partilha, para se compreender factos do passado.

    Continuação de boa semana, minha amiga.

    Beijinhos!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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    1. Bom dia , meu amigo.

      Este poeta tinha origens humildes , mas foi vizir de Silves.Infelizmente, era uma pessoa com um carácter não foi fiável e acabou por se meter em várias confusões: neste caso fora feito prisioneiro e estava à venda...

      Beijinho, bom final de semana :)

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  7. Quando se acreditava que se tinha de pagar pela morte

    Gostei

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    1. E será que não se pensa ainda hoje ?...

      Fico grata.

      Bom dia :)

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  8. Muito bem. Adorei o poema!! :))
    .
    Beijos. Boa noite!

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    1. Temos excelente escrita nesta época por mouros aqui no nosso país.

      Fico contente por ter gostado.

      Beijinho, bom final de semana :)

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    1. Conhecia o poeta há anos , mas ler a sua poesia...só recentemente.

      Te abraço, amic

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  10. Gostei do poema, não conhecia o poeta, obrigado pela partilha.
    Beijinhos

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    1. Infelizmente , minha amiga, conhecemos pouquissimo da enorme herança dos muçulmanos no território agora português...

      Grande abraço

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  11. Que hermoso texto, muy querida amiga Sao.

    Al decir " toma mi vida cuando ella te haga un bien para ti ", se evoca el pensamiento de San Francisco de Asis.

    Abrazo inmenso.

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    1. S.Francisco é alguém que muito admiro...

      Meu querido amigo, te abraço carinhosamente

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  12. Olá, São.
    Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com muita saúde.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  13. Un poema muy original, Sao, de un poeta que no conocía. Un abrazo.

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    1. Faz parte da rica herança que a civilização moura deixou na península ibérica.

      Te abraço :)

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  14. Al'Mu'Tamid, o Rei-Poeta!

    Do seu desterro em Marrocos, triste, roído de saudades, cantava Silves e o Palácio dos Balcões:

    Saúda, por mim, Abú Bala,
    Os queridos lugares de Silves
    E diz-me se deles a saudade
    É tão grande quanto a minha
    Saúda o Palácio dos Balcões.
    Da parte de quem nunca o esqueceu.
    Morada de leões e de gazelas
    Salas e sombras onde eu
    Doce refúgio encontrava

    À sua amada enviava juras de amor, assegurando-se de que a distância não seria motivo para o esquecimento:

    Invisível a meus olhos,
    trago-te sempre no coração
    Te envio um adeus feito paixão
    e lágrimas de pena com insónia.
    Inventaste como possuir-me
    e eu, indomável, submisso vou ficando!
    Meu desejo é estar contigo sempre,
    oxalá se realize tal vontade!
    Assegura-me que o juramento que nos une
    nunca a distancia o fará quebrar.
    Doce é o nome que é o teu
    e aqui fica escrito no poema: ‘Itimad.

    (E mais...) NO Xaile em tempos. :)

    Beijinhos
    Olinda

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    1. Minha querida amiga, fico-lhe muito grata pelo enriquecimento do meu espaço com esta partilha de poemas tão belos escritos pelo Rei-Poeta árabe.

      Beijinhos e bom resto de semana :)

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  15. Um poema que nos oferece que pensar... valorizar o que deveria ser imensurável...
    Desconhecia por completo o autor... Beijinhos!
    Ana

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    1. Eu já o conhecia embora superficialmente, mas no fim de 2021 fiz a Rota dos Escritores no Algarve e fiquei a conhecer a sua história de vida e a beleza dos seus poemas.

      O que aqui publico é retirado do livro que comprei no castelo de Silves, onde residiu enquanto vizir.

      Beijinhos :)

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